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Se meu Fusca voasse

27 abril, 2009
fusca

Humberto (cão), Fernandes e Flamel (janela) apostam no Fuscóptero para decolar / Foto: Susi Padilha

Saí do jornal pra fazer uma pauta sobre um fusquinha com uma hélice. Não tinha entendido muito bem como era o tal do Fusca e quando cheguei lá entendi menos ainda a história. Além do dono do veículo, estava uma dupla sertaneja. 

Até compreender o que uma dupla sertaneja, um fusca com uma hélice e um administrador tinham em comum levou um tempo. Cheguei lá perguntando que história era essa de um fusca com uma hélice e o Humberto, o dono do carro, foi logo me dando seis folhas A4 sobre como tudo começou. 

Folheei as páginas enquanto a fotógrafa fazia as fotos e entendi a história menos ainda. Durante isso, de fundo musical em ritmo sertanejo rolava isso: “É fusquinha quando vai, e Fuscóptero quando vem, leva paz pro oriente, o ocidente e um harém. Ele voa, ele corre, ele é cem e ele é mil, é fusquinha, é Fuscóptero, o xodozinho do Brasil”

Aos poucos as histórias foram se encaixando. Humberto é um cara de ideias mirabolantes, que tem a paixão por fuscas e a música como hobby. Fernandes & Flamel são dois irmãos. Vigilante e cobrador de ônibus, nessa ordem, e dupla sertaneja nas horas vagas. Humberto, que já conhecia Fernandes, quis divulgar a dupla e pensou num Fusquinha pra fazer isso. 

 Agora por que a hélice Humberto??

 – Aaaaah, porque na música  “Fusquinha Nota Cem” da dupla tem uma parte que fala do carro voando. E eu sempre imaginei pro clipe da música que o Fusquinha ia sobrevoar um campo de futebol, e pra isso ele tinha que ter uma hélice. Daí quando ele pousasse no campo, os jogadores iam se transformar em mulheres, as fusquetes. E a hélice ia levantar o vestido das fusquetes com o vento!

Imaginem a cena! 

Não entendeu direito ainda a história? Aí embaixo eu conto mais ou menos como tudo aconteceu: 

 “A ideia é ambiciosa. Depois do sucesso com o Fuscão Preto, o Calhambeque e a Brasília Amarela, é a vez do Brasil conhecer o Fuscóptero. Para um administrador e uma dupla sertaneja de Santa Catarina, o carro será o quarto ícone entres os veículos musicalmente famosos e o mais novo xodozinho do país.

A paixão pelo Fusca e a música como hobby fizeram com que o administrador Humberto Almeida apostasse na dupla Fernandes & Flamel. Humberto já conhecia Fernandes, que na verdade é o vigilante José Valdir Chaves, de um antigo emprego em Florianópolis.

Os dois voltaram a se encontrar quando, por meio de um amigo em comum, o administrador descobriu que Fernandes fazia parte de uma dupla sertaneja com o irmão.

 Entre tantas composições da dupla, uma em especial mexeu com Humberto. A canção Fusquinha Nota Cem fez o administrador lembrar seus tempos de Goiânia, onde os melhores momentos estavam acompanhados de um Fusca. Humberto revela que para lançar a dupla e a música quis comprar um fusquinha, que serviria como meio de divulgação. No entanto, não poderia ser qualquer fusquinha.

 – Nas minhas noites em claro, eu sonhava que o Fusca tinha que ter uma hélice, e eu já imaginava até uma cena no clipe com o Fusca voando.

Ninguém botou muita fé na ideia. Nem amigos, nem familiares e nem mesmo a dupla, que ficou desconfiada. Mas Humberto não desistiu, montou um protótipo de papelão do Fusca com a hélice e saiu à caça do carro.

Depois de três anos de procura, o administrador conta que encontrou um fusquinha do lado do estúdio de gravação. O carro já tinha algumas modificações.

 – Ele era um Fusca muito invocado, era todo tapetado e tinha uns reloginhos.

Humberto pagou R$ 3 mil pelo Fusca, e investiu mais de R$ 18 mil na reforma, que ainda não foram pagos. Para passar por todas as transformações, ganhar a hélice, poltronas vermelha e amarela e até um manche que fica em frente ao banco do passageiro, foram mais três anos.

 O Fusca modificado saiu andando no ano passado. Porém, ainda faltam alguns detalhes, como o capô e o porta-malas automáticos, um telão e o DVD. Apesar disso, para Humberto, o Fuscóptero saiu muito além do esperado e não tem preço que pague pelo veículo.

 – Ele não ficou 100%, ele ficou 1.000%!

 Diante do Fuscóptero, a música Fusquinha Nota Cem também precisou passar por umas mudanças.“Ele corre, ele voa. Ele é cem e ele é mil. É fusquinha e é Fuscóptero, xodozinho do Brasil”, diz um dos trechos da canção adaptada, escrita por Flamel. Os irmãos estão com clipe na internet, participando da atração Garagem do Faustão.

Ao que tudo indica, o Fuscóptero já decolou. A hélice tão sonhada por Humberto é sucesso por onde passa. Ele afirma que é só parar o Fuscóptero para câmeras e celulares serem sacados das bolsas. E, pelo menos entre as crianças, o carro já é um xodozinho.

 – Elas param e perguntam: ele voa ou não voa? – conta Flamel.

Agora, a dupla sertaneja espera que o Fuscóptero carregue-a junto com ele para voos mais altos.”

Ficou curioso pra ouvir a música? Clique aqui.

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Cultura, a gente vê por aqui

20 abril, 2009

Algumas pautas são verdadeiros presentes. Dá gosto em fazer… A que eu fiz abaixo é uma dessas. Também acho importante divulgar iniciativas desse gênero: 

Em meados de março, o museu Casa do Homem do Mar foi inaugurado em Bombinhas, Litoral Norte de Santa Catarina. Fui lá conferir e fiquei boquiaberta com a riqueza do acervo. Entre as mais de mil peças expostas, tive uma aula de história. 

Me deparei com moedas quadradas, como a maior do mundo dos suecos. Ao lado dela estavam as menores do mundo utilizadas pelos indianos. E se o assunto é navegação, é impossível não falar de religião. E lá estava uma obra original do Padre Antônio Vieira. 

museu_livro

A navegação e a religião. Livro de Padre Antônio Vieira. Fotos: Susi Padilha

Fiquei sabendo que marinheiros eram jovens órfãos de 13 e 15 anos. Isso porque a expectativa de vida na Europa não passava dos 30. Para evitar que eles ficassem na proa do navio, chupa-cabras eram colocados nos mastros para assustá-los. Os monstrinhos nada mais eram que raias esculpidas. 

Aprendi ainda que o símbolo dos piratas era na verdade um coração e não uma caveira, o que pude conferir na empunhadura de uma espada, original, é claro. Achei graça de uma gaiola de matar pirata e da famosa garrafa de rum.

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Jules mostra uma gaiola de pirata original. Eles ficavam à deriva da maré

Ainda tomei conhecimento de que os árabes eram grandes navegadores, porque eles já navegavam pelas dunas, localizando-se apenas pelas estrelas. Por falar em localização, vi bússolas e astrolábios belíssimos.

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Era esse todo o equipamente utilizado para atravessar oceanos

O museu foi construído dentro das normas do conselho internacional de museus da Unesco. Isso quer dizer que as peças estão expostas locais que têm medidas de largura, profundidade e altura já determinadas.

A exposição também precisa seguir uma ordem cronológica e cada sessão tem uma cor. Ainda é necessário ter uma área mais ampla e clara para aliviar um pouco a quantidade informação que já foi passada.

 Há também uma seção de exposição itinerante. No entanto, o museu não acaba por aí. Uma biblioteca sobre o tema reúne mais de dois mil volumes que podem ser consultados pelos visitantes.

museu_nos

O maior quadro de nós já exposto no mundo. Feito por um artesão catarinense

É uma pena que nem todos que forem conferir o acervo serão acompanhados por um dos idealizadores do museu, o geógrafo Jules Soto, que sabe contextualizar cada peça. Praticamente uma enciclopédia ambulante. É ele quem viaja pelo mundo atrás das raridades, arrematadas em leilões.

O museu Casa do Homem do Mar foi fundado pelo Instituto Soto Delatorre, que pertence a essas duas famílias. A iniciativa teve apoio da Marinha e da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que ajudará na manutenção do acervo. Jules estima que foram investidos no projeto mais de R$ 5 milhões.

Já o Instituto foi criado, de acordo com Jules, para disseminar cultura. Ele revela que eles pensam em fundar outro museu, sobre a participação do Brasil na II Guerra Mundial. Peças não faltam.

Serviço:
Horário: O museu funciona de terça a domingo das 14h às 20h
– As visitas são acompanhadas de guias treinados
Quanto: A entrada custa R$ 8 para adulto. Estudantes pagam meia.
– Escolas interessadas pagam preço especial
Contato: (47) 3363-0801
Endereço: Avenida Falcão, nº 2.200 – Praia de Bombas – Bombinhas 

PS: Das coincidências que tornam a pauta ainda mais interessante. Alguém se lembra daquele peixe esquisito encontrado em Palhoça? Então, o primeiro que avistou o regaleco no litoral catarinense foi o próprio Jules Soto. Na época disseram que ele estava delirando! Comentei isso no blog.