Archive for the ‘Só comigo’ Category

O mundo é um ovo (de codorna)

7 junho, 2009

Estava de férias, por isso o abandono. Mas no final da minha boa vida aconteceu uma que eu queria contar…

No aeroporto de Lisboa, pego o ônibus que leva os passageiros ao avião. O avião que, no caso, me traria de volta ao Brasil. Dentro do veículo o papo era sobre os pastéis de Belém. Afinal, a maioria carregava pastéizinhos para levar pra casa. 
Uma senhora perguntou se tinha perigo de estragar. Eu respondi que esperava que não, porque depois de chegar em São Paulo ainda teria que ir pra Florianópolis, só às 22h10! 
A mulher sorriu e disse que morou em Floripa até começo desse ano, quando foi morar em São Paulo com o filho caçula, porque ele  passou pra Medicina na USP e era muito novo pra ficar sozinho em Sampa. 
Liguei a feição da mulher, com o que ela me disse do filho, e perguntei o nome dele. Gente, ela era mãe de um garoto que entrevistei no começo desse ano. Haniel o nome dele e que com 16 anos passou pra Medicina na UFSC e na USP, sendo que aos 15 ele já tinha passado pra Medicina no vestibular por experiência da federal de SC. 
Agora alguém me diz, de que tamanho é esse mundo mesmo?

No aeroporto de Lisboa, pego o ônibus que leva os passageiros ao avião. O avião que, no caso, me traria de volta ao Brasil. Dentro do veículo o papo era sobre os pastéis de Belém. Afinal, a maioria carregava pastéizinhos para levar pra casa. 

Uma senhora perguntou se tinha perigo de estragar. Eu respondi que esperava que não, porque depois de chegar em São Paulo ainda teria que ir pra Florianópolis, só às 22h10! 

A mulher sorriu e disse que morou em Floripa até começo desse ano, quando foi morar em São Paulo com o filho caçula, porque ele  passou pra Medicina na USP e era muito novo pra ficar sozinho em Sampa. 

Liguei a feição da mulher, com o que ela me disse do filho, e perguntei o nome dele. Gente, ela era mãe de um garoto que entrevistei no começo desse ano. Haniel o nome dele e que com 16 anos passou pra Medicina na UFSC e na USP, sendo que aos 15 ele já tinha passado pra Medicina no vestibular por experiência da federal de SC. 

Agora alguém me diz, de que tamanho é esse mundo mesmo?

Se meu Fusca voasse

27 abril, 2009
fusca

Humberto (cão), Fernandes e Flamel (janela) apostam no Fuscóptero para decolar / Foto: Susi Padilha

Saí do jornal pra fazer uma pauta sobre um fusquinha com uma hélice. Não tinha entendido muito bem como era o tal do Fusca e quando cheguei lá entendi menos ainda a história. Além do dono do veículo, estava uma dupla sertaneja. 

Até compreender o que uma dupla sertaneja, um fusca com uma hélice e um administrador tinham em comum levou um tempo. Cheguei lá perguntando que história era essa de um fusca com uma hélice e o Humberto, o dono do carro, foi logo me dando seis folhas A4 sobre como tudo começou. 

Folheei as páginas enquanto a fotógrafa fazia as fotos e entendi a história menos ainda. Durante isso, de fundo musical em ritmo sertanejo rolava isso: “É fusquinha quando vai, e Fuscóptero quando vem, leva paz pro oriente, o ocidente e um harém. Ele voa, ele corre, ele é cem e ele é mil, é fusquinha, é Fuscóptero, o xodozinho do Brasil”

Aos poucos as histórias foram se encaixando. Humberto é um cara de ideias mirabolantes, que tem a paixão por fuscas e a música como hobby. Fernandes & Flamel são dois irmãos. Vigilante e cobrador de ônibus, nessa ordem, e dupla sertaneja nas horas vagas. Humberto, que já conhecia Fernandes, quis divulgar a dupla e pensou num Fusquinha pra fazer isso. 

 Agora por que a hélice Humberto??

 – Aaaaah, porque na música  “Fusquinha Nota Cem” da dupla tem uma parte que fala do carro voando. E eu sempre imaginei pro clipe da música que o Fusquinha ia sobrevoar um campo de futebol, e pra isso ele tinha que ter uma hélice. Daí quando ele pousasse no campo, os jogadores iam se transformar em mulheres, as fusquetes. E a hélice ia levantar o vestido das fusquetes com o vento!

Imaginem a cena! 

Não entendeu direito ainda a história? Aí embaixo eu conto mais ou menos como tudo aconteceu: 

 “A ideia é ambiciosa. Depois do sucesso com o Fuscão Preto, o Calhambeque e a Brasília Amarela, é a vez do Brasil conhecer o Fuscóptero. Para um administrador e uma dupla sertaneja de Santa Catarina, o carro será o quarto ícone entres os veículos musicalmente famosos e o mais novo xodozinho do país.

A paixão pelo Fusca e a música como hobby fizeram com que o administrador Humberto Almeida apostasse na dupla Fernandes & Flamel. Humberto já conhecia Fernandes, que na verdade é o vigilante José Valdir Chaves, de um antigo emprego em Florianópolis.

Os dois voltaram a se encontrar quando, por meio de um amigo em comum, o administrador descobriu que Fernandes fazia parte de uma dupla sertaneja com o irmão.

 Entre tantas composições da dupla, uma em especial mexeu com Humberto. A canção Fusquinha Nota Cem fez o administrador lembrar seus tempos de Goiânia, onde os melhores momentos estavam acompanhados de um Fusca. Humberto revela que para lançar a dupla e a música quis comprar um fusquinha, que serviria como meio de divulgação. No entanto, não poderia ser qualquer fusquinha.

 – Nas minhas noites em claro, eu sonhava que o Fusca tinha que ter uma hélice, e eu já imaginava até uma cena no clipe com o Fusca voando.

Ninguém botou muita fé na ideia. Nem amigos, nem familiares e nem mesmo a dupla, que ficou desconfiada. Mas Humberto não desistiu, montou um protótipo de papelão do Fusca com a hélice e saiu à caça do carro.

Depois de três anos de procura, o administrador conta que encontrou um fusquinha do lado do estúdio de gravação. O carro já tinha algumas modificações.

 – Ele era um Fusca muito invocado, era todo tapetado e tinha uns reloginhos.

Humberto pagou R$ 3 mil pelo Fusca, e investiu mais de R$ 18 mil na reforma, que ainda não foram pagos. Para passar por todas as transformações, ganhar a hélice, poltronas vermelha e amarela e até um manche que fica em frente ao banco do passageiro, foram mais três anos.

 O Fusca modificado saiu andando no ano passado. Porém, ainda faltam alguns detalhes, como o capô e o porta-malas automáticos, um telão e o DVD. Apesar disso, para Humberto, o Fuscóptero saiu muito além do esperado e não tem preço que pague pelo veículo.

 – Ele não ficou 100%, ele ficou 1.000%!

 Diante do Fuscóptero, a música Fusquinha Nota Cem também precisou passar por umas mudanças.“Ele corre, ele voa. Ele é cem e ele é mil. É fusquinha e é Fuscóptero, xodozinho do Brasil”, diz um dos trechos da canção adaptada, escrita por Flamel. Os irmãos estão com clipe na internet, participando da atração Garagem do Faustão.

Ao que tudo indica, o Fuscóptero já decolou. A hélice tão sonhada por Humberto é sucesso por onde passa. Ele afirma que é só parar o Fuscóptero para câmeras e celulares serem sacados das bolsas. E, pelo menos entre as crianças, o carro já é um xodozinho.

 – Elas param e perguntam: ele voa ou não voa? – conta Flamel.

Agora, a dupla sertaneja espera que o Fuscóptero carregue-a junto com ele para voos mais altos.”

Ficou curioso pra ouvir a música? Clique aqui.

Cultura, a gente vê por aqui

20 abril, 2009

Algumas pautas são verdadeiros presentes. Dá gosto em fazer… A que eu fiz abaixo é uma dessas. Também acho importante divulgar iniciativas desse gênero: 

Em meados de março, o museu Casa do Homem do Mar foi inaugurado em Bombinhas, Litoral Norte de Santa Catarina. Fui lá conferir e fiquei boquiaberta com a riqueza do acervo. Entre as mais de mil peças expostas, tive uma aula de história. 

Me deparei com moedas quadradas, como a maior do mundo dos suecos. Ao lado dela estavam as menores do mundo utilizadas pelos indianos. E se o assunto é navegação, é impossível não falar de religião. E lá estava uma obra original do Padre Antônio Vieira. 

museu_livro

A navegação e a religião. Livro de Padre Antônio Vieira. Fotos: Susi Padilha

Fiquei sabendo que marinheiros eram jovens órfãos de 13 e 15 anos. Isso porque a expectativa de vida na Europa não passava dos 30. Para evitar que eles ficassem na proa do navio, chupa-cabras eram colocados nos mastros para assustá-los. Os monstrinhos nada mais eram que raias esculpidas. 

Aprendi ainda que o símbolo dos piratas era na verdade um coração e não uma caveira, o que pude conferir na empunhadura de uma espada, original, é claro. Achei graça de uma gaiola de matar pirata e da famosa garrafa de rum.

muse_pirata

Jules mostra uma gaiola de pirata original. Eles ficavam à deriva da maré

Ainda tomei conhecimento de que os árabes eram grandes navegadores, porque eles já navegavam pelas dunas, localizando-se apenas pelas estrelas. Por falar em localização, vi bússolas e astrolábios belíssimos.

museu_bussola

Era esse todo o equipamente utilizado para atravessar oceanos

O museu foi construído dentro das normas do conselho internacional de museus da Unesco. Isso quer dizer que as peças estão expostas locais que têm medidas de largura, profundidade e altura já determinadas.

A exposição também precisa seguir uma ordem cronológica e cada sessão tem uma cor. Ainda é necessário ter uma área mais ampla e clara para aliviar um pouco a quantidade informação que já foi passada.

 Há também uma seção de exposição itinerante. No entanto, o museu não acaba por aí. Uma biblioteca sobre o tema reúne mais de dois mil volumes que podem ser consultados pelos visitantes.

museu_nos

O maior quadro de nós já exposto no mundo. Feito por um artesão catarinense

É uma pena que nem todos que forem conferir o acervo serão acompanhados por um dos idealizadores do museu, o geógrafo Jules Soto, que sabe contextualizar cada peça. Praticamente uma enciclopédia ambulante. É ele quem viaja pelo mundo atrás das raridades, arrematadas em leilões.

O museu Casa do Homem do Mar foi fundado pelo Instituto Soto Delatorre, que pertence a essas duas famílias. A iniciativa teve apoio da Marinha e da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que ajudará na manutenção do acervo. Jules estima que foram investidos no projeto mais de R$ 5 milhões.

Já o Instituto foi criado, de acordo com Jules, para disseminar cultura. Ele revela que eles pensam em fundar outro museu, sobre a participação do Brasil na II Guerra Mundial. Peças não faltam.

Serviço:
Horário: O museu funciona de terça a domingo das 14h às 20h
– As visitas são acompanhadas de guias treinados
Quanto: A entrada custa R$ 8 para adulto. Estudantes pagam meia.
– Escolas interessadas pagam preço especial
Contato: (47) 3363-0801
Endereço: Avenida Falcão, nº 2.200 – Praia de Bombas – Bombinhas 

PS: Das coincidências que tornam a pauta ainda mais interessante. Alguém se lembra daquele peixe esquisito encontrado em Palhoça? Então, o primeiro que avistou o regaleco no litoral catarinense foi o próprio Jules Soto. Na época disseram que ele estava delirando! Comentei isso no blog.  

Ein Prosit! (Tamo junto e misturado)

16 março, 2009

No dia 1º de março fui cobrir os 180 anos de colonização alemã em Santa Catarina. A comemoração foi numa festa em São Pedro de Alcântara, a primeira colônia alemã do Estado. Esses eventos trazem alguns problemas para nós, repórteres:

1º as pessoas exalam chope por todos os poros

2º com o chope, os sobrenomes cheios de consoantes ficam ainda mais difíceis de serem compreendidos. “O senhor pode soletrar, por favor?” Acho que foi a pergunta que mais fiz

3º Havia um entrevistado tão bêbado, mas tão bêbado que quando fui falar com ele, pensei que ele tava falando alemão. Não entendi lhufas a não ser que ele é brasileiro e a mãe, sim, é alemã.

Ah, um detalhe, que pra mim foi o melhor. Embalando a festa, aquele tradicional e inconfundível ritmo de bandinha alemã tocava Chalana(!)! Interessante essa mistura de culturas.

Foto: Susi Padilha

Foto: Susi Padilha

Da necessidade de ser preciso…

26 janeiro, 2009

Sempre!

Liguei para o celular de uma professora, uma fonte que alguém indicou pruma matéria. 

– Regina?

– Não.

– Mas eu liguei pro número tal?

– Isso mesmo.

– Ah desculpa, então acho que anotei errado.

Depois que desliguei me toquei que o nome da mulher era: Claudia Regina, mas devido à bagunça que faço nas anotações, li apenas Regina. Deduzi que talvez nem ela se tocara que tinha Regina no nome.

Tentei novamente mais tarde:

– Claudia Regina?

– Oi, eu mesma…

Micos, eu também pago

6 outubro, 2008

Imagina a cena: a repórter chega para entrevistar o diretor de uma escola adventista e quando saca a caneta da bolsa, ela vem acompanhada de um lindo absorvente embaladinho no envelope de plástico branco característico…

Pois é, isso já aconteceu comigo. O absorvente ficou preso naquela alça da caneta. Disfarcei, e sei lá se o diretor viu. Não fiz questão nenhuma de perguntar.

No meio da ciclovia, um fotógrafo

11 setembro, 2008

Numa dessas saídas que a gente já espera que a pauta caia, conheci uma figura cheia de histórias para contar. Era uma matéria para criticar as ciclovias, no entanto os raros ciclistas que encontrei amavam as faixas para bicicletas. Um deles era Ayrton de Magalhães. Durante uma entrevista breve, ele comentou que trabalhara com Samuel Wainer e nos bastidores do filme Pixote e do Beijo da Mulher Aranha.

Pronto, a pulguinha estava plantada atrás da orelha. Peguei o contato dele e curiosa e desconfiada do jeito que sou, cheguei ao jornal e corri para o Google! E não é que ele realmente era quem ele disse ser?

Marquei com Ayrton uma entrevista. E abaixo está o resultado. O espaço do jornal é limitado, e acredito que o tempo dos leitores do blog também. Por isso nem todas as histórias dele estão aí:

Muitos conhecem o retrato da atriz Marília Pera amamentando Fernando Ramos da Silva, o Pixote. Mas poucos sabem que o autor da imagem é Ayrton de Magalhães, 54 anos, que fez fama como fotógrafo still ou de cena- aquele que fotografa produções cinematográficas.

Ele também registrou pela primeira vez o submundo dos travestis de São Paulo, em 1976 e cenas do filme “O Beijo da Mulher Aranha”, protagonizado pela atriz Sônia Braga. Depois de voltas e reviravoltas, Ayrton está morando em Florianópolis. As histórias deste fotógrafo parecem formar um verdadeiro filme na cabeça dele, revelado exatamente na seqüência em que tudo aconteceu.

Aos 14 anos ele caiu na estrada, deixou sua cidade natal, São Paulo (SP), e embarcou numa aventura para Salvador (BA). De lá, seguiu para Ouro Preto (MG), onde aprendeu o artesanato em couro. Eram bolsas com aplicações de metal, que logo fizeram sucesso.

Veio para Santa Catarina, onde conheceu o poeta catarinense Lindolfo Bell, que se encantou com o trabalho de Ayrton e organizou exposições com as peças. Como ia muito a Blumenau, o artesão conheceu a rotina de uma redação, num jornal da cidade, e resolveu virar fotógrafo.

A decisão foi repentina, mas tudo indica que acertada. O reconhecimento do trabalho veio de pessoas como o cineasta Hector Babenco e o jornalista Samuel Wainer.

Ayrton começou o ofício em Florianópolis, em 1971, como fotógrafo do governador do Estado, Colombo Salles. Aos 19 anos, embarcou numa viagem pela América Latina, e fotografou países como Guatemala, Equador e México. Registrou cenas da última tribo Maia, que foram parar numa exposição em Paris a convite de Boris Kossoy, fotógrafo influente.

Na volta ao Brasil, dedicou-se um ano às fotografias do submundo dos travestis de São Paulo. Quando concluiu, foi chamado para trabalhar no jornal Última Hora de Samuel Wainer, que não gostou muito da idéia.

– Ele achava que eu era fotógrafo artista e não de jornalismo – explica.

Wainer estava enganado e ficou com Ayrton até o fechamento do jornal. Quando isso aconteceu, Babenco convidou o fotógrafo para retratar os sets do filme “Pixote – A lei do mais fraco”. Ayrton conta que clicou mais de mil garotos até chegar ao escolhido e revela que tudo com Babenco era assim.

_ Fazíamos centenas de fotos de uma mesma cena, mas para ele ainda era pouco. No Beijo da Mulher Aranha fiz umas 700 fotos de Sônia Braga e ele perguntou para mim se era só aquilo!

Ayrton ainda trabalhou como fotógrafa da editoria de polícia de um jornal dirigido por Amado Ribeiro, personagem do livro “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues.

– Ele era um grande inventor de notícias!

No entanto, a vida prega peças, e com Ayrton não foi diferente. Em 1993, o pai sofreu um acidente, e cinco anos mais tarde, o tio também. O fotógrafo relata que abandonou tudo para cuidar dos dois, que faleceram 10 anos depois.

– Durante esse tempo não fiz mais nada e meu dinheiro foi embora.

Com a morte dos dois, Ayrton mudou-se para o subúrbio de Diadema (SP), fazia vídeos e fotografava de casamento e batizados. Porém, os gastos eram maiores que o lucro.

Foi quando resolveu se mudar para Florianópolis, cidade que sua filha única escolheu para morar. Na capital catarinense, Ayrton foi telefonista, frentista e chapeiro de uma barraquinha de cachorro-quente. Seu desejo é voltar a fotografar e trabalhar com documentários. Ele também pretende cursar Sociologia.

No momento, Ayrton está desempregado e suas fotos, na história.”

Foto: Diego Redel

Obs: A barraquinha de cachorro-quente é aquela em frente ao Pida
Obs2: Imagens cedidas por Ayrton

Surpresa Rara II – O Desfecho

18 agosto, 2008

Para dar um retorno sobre o destino do peixe…

Ele será encaminhado ao Museu de Oceanografia da Univali, em Itajaí.

Abaixo o email que recebi do oceanógrafo José Nestor Cardoso e parte de um release que chegou ao jornal:

“O peixe foi para a coleção do Museu da Univali, aos cuidados do Jules Soto que foi quem primeiro descreveu o peixe para a região.

Ele ficou muito contente pois sua observação havia sido durante um mergulho e ele não tinha provas físicas, o que levantou muitas críticas e ceticismo.

Agora com este exemplar ele tem a comprovação de sua observação anterior. Deveremos escrever um artigo em conjunto para publicação.

Além disto ele deverá colher material para análise de DNA para comparação com outros exemplares de outros pontos do globo.

Qualquer novidade te manterei informada. Também já informei nosso amigo Zé Lima da USP e ele ficou muito satisfeito com o desfecho. Lógico que ele adoraria o exemplar na coleção da USP. Na verdade até acho que teria mais visibilidade e acesso para outros pesquisadores, mas de qualquer maneira está bem encaminhado.

Abraço e mais uma vez obrigado.
Nestor”

Agora um trecho do release:

“A notícia chamou a atenção de pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí (Univali),  que avaliaram o material e foram categóricos: ‘Trata-se de um juvenil de peixe-remo, o maior de todos os peixes ósseos e é conhecido cientificamente como Regalecus glesne‘.

A identificação foi feita por Jules Soto, curador do Museu Oceanográfico da Univali. Na ocasião ele foi até a localidade em que o animal foi capturado e confirmou a importância do achado. Jules é o responsável pelo o único registro da espécie em toda a América do Sul realizada em janeiro de 1988.

‘Há 20 anos, observamos um exemplar com cinco metros nas proximidades da Ilha das Galés, incluindo-o para a lista de peixes do Brasil. Agora, a espécie voltou a ser vista, com um exemplar capturado, a poucos quilômetros do primeiro registro’, comemora.

Jules disse ainda que o peixe capturado trata-se do único preservado desta espécie em toda a América do Sul e integrará o acervo do Museu Oceanográfico Univali.”

Foto: Susi Padilha - Carlinhos, o pai Manoel e o irmão Cláudio

Surpresa Rara

15 agosto, 2008

Fui fazer uma matéria de um pescador que pegou um peixe de 1,70 m. Saí do jornal achando que ia encontrar um desses peixes gorduchos, grandões, com nadadeiras.
Quando me deparei com aquele peixe comprido e finééérrimo não sei nem se fiquei decepcionada ou admirada. Só me dava impressão que o peixe iria rasgar a qualquer momento. Nenhum dos pescadores sabia dizer que raio de peixe era aquele, mas uma coisa estava certa, ele iria para a panela.
Quando cheguei ao jornal, sabia que precisava ir atrás de alguém pra me dizer, afinal, que espécie era… Mas quis escrever a matéria primeiro, só que quando escrevi que o peixe iria para a panela, me deu um arrepio. Eu precisava descobrir imediatamente que peixe ele era! Imagina se pudesse ser alguma espécie rara? Eles iriam comer!!!
Liguei urgente pra um oceanógrafo que eu entrevistara na véspera para uma matéria sobre guarda-compartilhada! E não é que ele me deu o caminho para descobrir a espécie e no final, o peixe era realmente uma raridade? Assim que soube, liguei pro pescador. Por sorte, o peixe ainda estava intacto!

Abaixo a matéria, e depois um email que recebi do oceanógrafo:

Um apelidou de ‘peixe-camarão’. A maioria preferiu não arriscar um palpite. Nem o mais experiente dos pescadores, entre os que ali estavam, vira um peixe como aquele. E o que mais intrigou: a conversa de pescador era verdadeira. O animal estava ali e ninguém sabia dizer a sua espécie.

O peixe prateado de 1,70 metros e 22 centímetros de largura era fino como um papel e parecia que iria rasgar. Ele também não tinha nadadeiras. A novidade agitou o remanso da baía da Praia de Fora, na Palhoça, na Grande Florianópolis, na manhã de ontem.

Por volta das 7h30min, o pescador Carlos Alberto da Silveira, 50 anos, fora avisado por um amigo que um peixe muito estranho nadava a cerca de uns 30 metros da praia. Acostumado a pescar desde os 8 anos, ele não pensou duas vezes, pegou a tarrafa e correu para o mar. Foi fácil, Carlinhos admite. O animal não reagiu e caiu na rede.

Carlinhos não podia esperar surpresa mais bonita naquela manhã.

– Quando vi, me deparei com esse peixe lindão e maravilhoso!

O difícil foi saber que peixe exatamente era aquele. Manoel da Silveira, 72 anos, pai de Carlinhos e pescador desde os 12, contou que nunca vira um assim. Já pegou de tudo, já foi para alto-mar, mas aquele ali era novidade.

O irmão de Carlos, Cláudio, e os amigos também foram conferir. Definitivamente, o peixe não é da redondeza. Eles contam que já pegaram outros peixes grandes, como uma pescada-amarela, de 1,20 metros e que pesava 18 quilos. Para ninguém duvidar, o feito foi retratado e ganhou até moldura, que fica no bar de Carlos, à beira-mar.

Carlinhos, o pai e os amigos acreditam que provavelmente o peixe misterioso tenha se perdido numa corrente ou então, fora levado à baía por algum predador. Ele afirmou que o animal é parecido com um espada.

_ Mas a boca é totalmente diferente, ele tem essas espécies de barbatanas e isso, que parece uma antena na cabeça _ observou Carlinhos.

Os olhos esbugalhados são outro indício de que a novidade veio de longe.

_ Esse olho é de peixe de água profunda.

Foi preciso consultar um especialista no assunto para desvendar o mistério. O biólogo e professor da Universidade de São Paulo, José Lima de Figueiredo, informou que o animal encontrado é da família Regalecidae. Ele desconhece um nome popular.

Lima acredita que tenha sido o primeiro peixe da espécie capturado na região e até mesmo no Brasil. Outros já foram vistos, mas não pescados. Lima ainda disse que esse é o mais longo dos peixes ósseos, podendo chegar a 8 metros de comprimento. Eles podem ser encontrados em todos os oceanos, longe da costa.

Pelo tamanho e formato, teria sido essa espécie que deu origem às lendas das serpentes marinhas gigantes.

O destino inicial, que seria a panela, parece que será o museu. Lima recomendou que ele fosse conservado.

_ Seria muito importante para uma universidade ter essa espécie.”

A história teve um final feliz:

“OI Júlia
Falei com o Carlos Alberto e ele vai conservar o peixe para mim. Devo ir buscar até o final de semana.
Obrigado…com certeza tiveste uma contribuição muito importante para a oceanografia.
Abraço
Nestor”

Foto: Susi Padilha - O pescador Carlos Alberto com seu peixe misterioso

É dos cachorros que eles gostam mais

29 maio, 2008

Olha, mexer com bicho é um problema.

Apesar de todos os dias saírem notícias de adolescentes baleados, criança fora da escola, é dos animais que os leitores sentem pena.

Essa semana saiu uma matéria que fiz sobre um canil, que incomodava os vizinhos por uma série de irregularidades. Fora fedor, doença, pulgas, barulho… Mesmo tendo uma vira-lata fofa em casa, procurei ser o mais imparcial possível. Ouvi todos os lados – como manda a regra. Ah, sim, menos o da dona, que nos recepcionou a tijoladas. Mas não adianta, recebi emails e emails falando mal da matéria e o melhor, com lição de moral!

Resumo da história, virei carrasco dos cachorros e ainda fui parar numa lista de email dos protetores dos animais! Hoje, por exemplo, recebi pela lista que “Banzé conseguiu dinheiro para operar a patinha”!

Abaixo algumas das mensagens que os leitores me mandaram. Leiam e reflitam:

“Na reportagem, sobre a Discórdia devido a canil, quero asinalar que ao invés de atacar a cuidadora, deve-se agradecer a ela por estar fazendo um serviço de utilidade pública. Assiná-lo também que a reporter viu a árvore mas não viu a floresta…”

“Independente de quem sou, como vivo, o que faço, admiro e respeito o trabalho árduo desse pessoal que se dedica a atender animais em dificuldades buscando lhes dar um pouco de dignidade. Ali, seja num cão atropelado ou faminto, abandonado pela irresponsabilidade humana, pulsa e respira a vida. Respeitá-la, como de resto a toda natureza, por incrível que pareça ainda que não seja dever, visto que viajamos na nave mãe em pleno terceiro milênio, mas um direito, e mais que isso, um prestar contas com as profundezas no nosso verdadeiro self…” SELF?????????????????????????????

“Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes.” ( Albert Schweitzer – Nobel da Paz de 1952)”