Archive for abril \29\UTC 2008

E quem pode com elas?

29 abril, 2008

Nessas últimas semanas entrevistei algumas crianças, e olha só o que apareceu:

Estava entrevistando Lucas, 7 anos, na casa dele, quando um amiguinho chegou e foi cumprimentá-lo. Lucas não titubeou:
– Cara, agora não dá. Tô dando uma entrevista.

– Fabíola, teu aniversário é dia 15 de janeiro mesmo né? – a diretora perguntou.
– É, dia 15 de janeiro. Teve um ano que minha mãe tirou folga nesse dia, mas mesmo assim, o aniversário não mudou. Ele continuou sendo dia 15 de janeiro.
(Fabíola, 8 anos)
Juro que não entendi o que ela quis dizer. E pela cara que a diretora fez, garanto que também não.

“A escola é muito legal. A gente entra e não sabe nada e sai sabendo tudo” – Maria Eduarda, 8 anos.

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Telemarketing

25 abril, 2008

Essa aconteceu com a Luluzinha novamente. (Estou fora das pautas da Geral, fazendo um caderno que não proporciona fatos engraçados)

Ela ligou para a casa de um advogado, e a mulher dele atendeu. Eis que se deu o diálogo:

Lu: Sou Luciana do DC, queria falar com o advogado Xis?
Ela: Sobre o que?
Lu: Sobre o caso tal.
Ela: Ufa! É que sempre ligam aqui pra vender jornal!

 

Reza braba

24 abril, 2008

Essa história do padre é de um realismo realmente fantástico. Me sinto num dos livros de Garcia Márquez ou ainda no Pantaleão e as visitadoras de Mário Vargas Llosa (que eles não me matem por colocá-los aqui juntos), com seus nomes engraçados e o seu menininho mártir de Moronacocha.

Não é que pelo que apuraram hoje no jornal, há rumores de que o padre está vivo. É que alguém, que está orando muiiiiiiiiiiiiiiito por ele, disse que teve uma visão do padre vivo no meio da mata, enquanto rezava.

Então que as buscas continuem…

Na foto os restos de uns balões, achados na Praia da Pinheira, em Palhoça. A intenção até foi boa, mas as bexigas eram de festa e nada tinham a ver com a as do aventureiro.

Se conselho fosse bom…

18 abril, 2008

– Geral, boa tarde?
– Oi, é da recepção, é que tem uma senhora aqui que vai completar 60 anos de casamento e ela quer saber quem pode fazer uma matéria?
– ?????????????????? Peraí, que eu vou falar com o chefe de redação.

Como eu estava ocupada, desceu outra repórter (Luciana Ribeiro), para conferir se rendia, pelo menos, uma história boa para a contracapa do jornal.

Quando a Luluzinha voltou, perguntamos o que tinha dado.

– Ah, a história era bonitinha. Mas o melhor foi a filha dela. Eu perguntei pra mulher o que ela aconselhava para um casamento durar tanto tempo, e enquanto a mulher respondia a filha não parava de dar palpites.

Palpite vai, palpite vem, a repórter perguntou:
– Ah, você é casada também?
– Não, sou separada!

Vai saber, né?

Conversa de Laçador

10 abril, 2008

Eu nunca tinha visto um manezinho torto. Mas acredito que seu Ivanderlor, nome de almanaque, como ele mesmo definiu, é um desses. Em vez da rede e do barco, ele prefere o laço e o cavalo. Isso que nasceu em pleno Sul da Ilha.

Quantos anos tem seu Ivanderlor?

– 74 anosh. Ano passado eu tinha 73.

Aaah bom.

Seu Ivanderlor adora participar de rodeios. Diz que compete em todos os da região.

E já ganhou muitas vezes?

– Uh! Tenho 36 troféush. Pode ir ali no bar ver.

Além da paixão pelos cavalos, o laçador guarda a paixão por sua mulher.

– Vou te contar como eu conheci a minha eshposa. Eu fui levar um carregamento de lenha lá pros Saco dosh Limõesh. Quando eu cheguei lá na casa, tinha uma menina cuidando de um porquinho. Eu olhei pra ela, ela olhou pra mim, eu pensei: Será que vai ser tu meshmo??

Pelo jeito foi. Diz ele que correu pra casa, se ajeitou todinho todinho e voltou “láá pros Saco dosh Limõesh”! O casamento já dura 51 anos.

Seu Ivanderlor conta que está num momento muito importante. Que exige muita concentração.

– An! Agora tô me preparando prosh Praianosh!

Os Praianos é um rodeio famoso que tem em São José, grande Florianópolis. Seu Ivanderlor vai competir na categoria “Vovô”.

– 70 anosh em diante! Antes eu competia nos Veteranos. De 60 a 70.

Aaah tá.
 

 

Mistério…

8 abril, 2008

Essa aconteceu com um ex-colega de jornal…

Ele era o responsável por um caderno, cujo nome é o mesmo de um programa da TV local. O repórter foi lá, com o fotógrafo, entrevistou a fonte e avisou o dia da semana em que o caderno circulava.

Não é que um tempo depois o repórter recebe uma ligação da fonte…

– Oi, eu tô ligando pra saber por que o programa não foi ao ar??

Eu só me pergunto como é que a pessoa achava que o programa ia ao ar??? Que câmera de vídeo ele viu no dia da entrevista?

Sinceridade de mais, sinceridade de menos

4 abril, 2008

Fui cobrir um suposto caso de dengue em São José. O cara me jurou de pé junto que tava com a doença. Ficou cinco dias no Rio de Janeiro, voltou com febre, vômito, diarréia e dores fortes de cabeça. Já tinha até feito um exame no hospital e deu positivo, inclusive a Secretaria de Saúde tava indo na casa dele e tudo mais.

Pausa aqui.

Chegando à redação, liguei pra Vigilância Epidemiológica, que é quem cuida disso, pra confirmar o caso. A mulher ficou indignada.
– Meu deus, não acredito que ele disse isso! Mas hoje de manhã eu tive na casa dele e falei com todas as letras: o senhor não tem dengue, o exame do hospital já deu negativo, precisamos fazer o exame novamente, porque o senhor veio do Rio.

Voltando pro dengoso.

– Mas se o senhor tá com dengue e já deu confirmado no exame, por que a vigilância tá vindo aqui recolher amostra de sangue??
– Ah, é pra ver se eu tô com a dengue hemorrágica!

Olha a cara-de-pau do cidadão! Isso que a conversa se deu em pé, depois de ele descer as escadas todo serelepe. Até confesso que a aparência estava abatida.

Abre aspas: Na forma hemorrágica, os sintomas são semelhantes, mas a doença é muito mais grave, por causa das alterações da coagulação sanguínea. Pequenos vasos podem sangrar na pele e nos órgãos internos, surgindo hemorragias nasais, gengivais, urinárias, gastrointestinais ou uterinas. Como o leito dos capilares se dilata, a pressão arterial pode baixar, dando origem à tontura, queda, choque e, em raríssimos casos, à morte.

**** A propósito, hoje cobri uma passeata contra a dengue em Biguacity! Até o Aedes estava presente. Era num colégio do ensino fundamental ao médio. Os grandões do terceirão passaram a mão na mochila e caíram fora. Já os pequenos de sete anos não tiveram escapatória, ainda sobrou pra seis carregarem as letras: D E N G U E.
Falei com um dos que tiveram que ficar:
– E aí, animado com a passeata?
– Não! 
 
Herm�nio Nunes

Opinião Pessoal

2 abril, 2008

Um tempinho atrás na redação…

– Geral, boa tarde?
– Boa tarde! Com quem eu falo?
– Júlia.
– A senhora é repórter?
– Sou sim.
– Na verdade eu tô ligando pra saber uma opinião sua. Uma opinião pessoal, não da repórter.
– ??????????????????????????????????????
– É que ontem deu uma notícia, corrija se eu tiver enganado, que pela primeira vez na história, o Brasil quitou sua dívida externa. Confere?
– Isso mesmo…
– Isso é maravilhoso não é mesmo? Olha, é que eu tô pensando em ir agora na igreja marcar uma missa pro presidente Lula. O que a senhora acha disso? Opinião pessoal. A senhora acha que eu devo marcar uma missa?
– Olha senhor, acho que muita coisa ainda precisa ser feita e quem tem que saber disso é o senhor.
– Mas eu queria uma opinião sua. Pessoal. A dívida foi quitada não é mesmo? E isso é maravilhoso não é mesmo?? Porque olha, se a dívida foi quitada, merece uma missa. A dívida foi quitada não foi?
– FOI!
– Então tô indo lá agora marcar a missa pro presidente Lula. Muito Obrigado.

A Portelinha Manezinha

1 abril, 2008

A pauta estava lá: degradação do rio em algum lugar remoto da Ilha de Florianópolis. Dona Chica espera por vocês na casa dela.
Oba! Adorei! Já pensei no lide, as garrafas pet verdes boiando e o fedor de esgoto insuportável.
Lá fomos o fotógrafo, o motorista e eu. Passa madeireira, vira à direita, passa a mercearia, direita de novo, a segunda casa da rua. 
Ué, mas cadê o rio?? Era um córrego, meio metro de largura, limpo, limpo e limpo. Me deu sede. Cadê a sujeira? E o fedor?
– É que hoje tá limpo, dizia a Dona Chica, que veio de cidade grande. Mas você tem que ver ali do outro lado!
Êba! Chegando lá, eis que surge o líder comunitário. Gente, me senti na própria Portelinha!  Seu Juvenal Manezinho Antena começou a tirar satisfações com a mulher:
– Com que direito tu chama a imprensa aqui? Eu é que sou o líder comunitário minha filha, que poluição que taish vendo aqui?
“Ih”. Penso eu.
A mulher dele também resolveu tirar satisfações:
– Sua vagabunda! Tu é uma louca! Não te cuida não pra tu vê. Tu vai ser expulsa daqui! Sua vagabunda (sim, ela repetiu isso zilhões de vezes), eu moro há 55 anosh aqui, tu não tá nem há um! Que que tá se metendo??
“Ihhh” de novo.
Nisso veio o filho, os vizinhos, todos dando de dedo na mulher. O filho do Juvenal Menezinho até entrou no córrego e lavou as mãos pra provar que não era poluído. E o bate boca correndo solto. A Dona Chica com seu brinco de miçangas amarelas e vermelhas não perdeu a pose. Até que a outra partiu pra cima dela!
PQP!!! Era só o que me faltava, de meio ambiente vou pra polícia. Que bom que o filho conseguiu apartar as duas. Mas os xingamentos continuaram.
O que faz uma foca nessas horas????? Nada. Peguei todos os telefones e mantive minha calma habitual. Fotógrafo e motorista – muito mais experientes do que eu – me aconselharam a ir embora. E lá foi a equipe pro jornal.
A pauta, claro, caiu.