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Cultura, a gente vê por aqui

20 abril, 2009

Algumas pautas são verdadeiros presentes. Dá gosto em fazer… A que eu fiz abaixo é uma dessas. Também acho importante divulgar iniciativas desse gênero: 

Em meados de março, o museu Casa do Homem do Mar foi inaugurado em Bombinhas, Litoral Norte de Santa Catarina. Fui lá conferir e fiquei boquiaberta com a riqueza do acervo. Entre as mais de mil peças expostas, tive uma aula de história. 

Me deparei com moedas quadradas, como a maior do mundo dos suecos. Ao lado dela estavam as menores do mundo utilizadas pelos indianos. E se o assunto é navegação, é impossível não falar de religião. E lá estava uma obra original do Padre Antônio Vieira. 

museu_livro

A navegação e a religião. Livro de Padre Antônio Vieira. Fotos: Susi Padilha

Fiquei sabendo que marinheiros eram jovens órfãos de 13 e 15 anos. Isso porque a expectativa de vida na Europa não passava dos 30. Para evitar que eles ficassem na proa do navio, chupa-cabras eram colocados nos mastros para assustá-los. Os monstrinhos nada mais eram que raias esculpidas. 

Aprendi ainda que o símbolo dos piratas era na verdade um coração e não uma caveira, o que pude conferir na empunhadura de uma espada, original, é claro. Achei graça de uma gaiola de matar pirata e da famosa garrafa de rum.

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Jules mostra uma gaiola de pirata original. Eles ficavam à deriva da maré

Ainda tomei conhecimento de que os árabes eram grandes navegadores, porque eles já navegavam pelas dunas, localizando-se apenas pelas estrelas. Por falar em localização, vi bússolas e astrolábios belíssimos.

museu_bussola

Era esse todo o equipamente utilizado para atravessar oceanos

O museu foi construído dentro das normas do conselho internacional de museus da Unesco. Isso quer dizer que as peças estão expostas locais que têm medidas de largura, profundidade e altura já determinadas.

A exposição também precisa seguir uma ordem cronológica e cada sessão tem uma cor. Ainda é necessário ter uma área mais ampla e clara para aliviar um pouco a quantidade informação que já foi passada.

 Há também uma seção de exposição itinerante. No entanto, o museu não acaba por aí. Uma biblioteca sobre o tema reúne mais de dois mil volumes que podem ser consultados pelos visitantes.

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O maior quadro de nós já exposto no mundo. Feito por um artesão catarinense

É uma pena que nem todos que forem conferir o acervo serão acompanhados por um dos idealizadores do museu, o geógrafo Jules Soto, que sabe contextualizar cada peça. Praticamente uma enciclopédia ambulante. É ele quem viaja pelo mundo atrás das raridades, arrematadas em leilões.

O museu Casa do Homem do Mar foi fundado pelo Instituto Soto Delatorre, que pertence a essas duas famílias. A iniciativa teve apoio da Marinha e da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que ajudará na manutenção do acervo. Jules estima que foram investidos no projeto mais de R$ 5 milhões.

Já o Instituto foi criado, de acordo com Jules, para disseminar cultura. Ele revela que eles pensam em fundar outro museu, sobre a participação do Brasil na II Guerra Mundial. Peças não faltam.

Serviço:
Horário: O museu funciona de terça a domingo das 14h às 20h
– As visitas são acompanhadas de guias treinados
Quanto: A entrada custa R$ 8 para adulto. Estudantes pagam meia.
– Escolas interessadas pagam preço especial
Contato: (47) 3363-0801
Endereço: Avenida Falcão, nº 2.200 – Praia de Bombas – Bombinhas 

PS: Das coincidências que tornam a pauta ainda mais interessante. Alguém se lembra daquele peixe esquisito encontrado em Palhoça? Então, o primeiro que avistou o regaleco no litoral catarinense foi o próprio Jules Soto. Na época disseram que ele estava delirando! Comentei isso no blog.  

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Pausa

2 fevereiro, 2009

Intervalo no meus posts, pra aceitar outro meme. Tattiana me passou e não quis quebrar:

Seis coisas sobre mim:

1. Eu sou destra mas só sei usar o mouse com a mão esquerda.
2. Sempre que acabava um trabalho em cartolina ou de maquete corria pra frente do espelho pra tentar imaginar se estava bonito aos olhos dos outros.
3. Quando entrei pra autoescola eu não sabia nem o que era cada pedal. Uma vez fiz uma curva, o pneu bateu no meio fio e a calota saiu voando! O pior foi um guri que veio carregando a calota morro acima anunciando pra toda rua que eu tinha derrubado (vergoooonha)
4. Eu era uma pequena revolucionária. Uma vez quando criança cheguei na sala sem camisetinha e só de short. Minha mãe perguntou o que era aquilo. Respondi que se meu pai ficava sem camisa eu também podia ficar.
5. Eu sempre fui boa em matemática. Mas no terceirão inventava dúvidas só pra ir nas aulas de assistência de um professor que eu achava lindo!
6. Sou vaso ruim. Nunca peguei catapora e nenhuma outra doença de criança como sarampo, rubéola ou caxumba.

Passo para (eram pra ser seis, mas não tenho mais pra quem passar, porque quase todo mundo já fez o meme):

Clarissa (http://ateliedeideias.wordpress.com/)
Fernanda (http://www.diariodaphe.blogger.com.br/)
Daia (http://daia1012.blogspot.com/)

Bodas de Ametista*

8 janeiro, 2009

Olha só que bonitinho. Um senhor de 79 anos veio ao jornal querendo fazer um agradecimento para a mulher dele, já que amanhã completam 55 anos de casados. Chamaram um repórter, mas na verdade ele queria colocar um anúncio.

De qualquer forma dei uma palavrinha rápida com ele. Ele assim:

– Eu pensei num anúncio, porque sabe né? Aos 55 anos de casado não adianta mais dar presente. Um anel, um colar, isso não surte mais efeito. Tem que ser uma surpresa. Pensei em colocar um anúncio agradecendo por ela me aguentar e me aturar esse tempo todo.

Esse sabe das coisas…

*Pesquisei num site e achei que 55 anos são Bodas de Ametista. Se estiver errado me corrijam!

Abuso

26 novembro, 2008

O momento não permite fatos engraçados no jornal, correria e correria. No entanto, publicarei aqui o e-mail de um leitor, denunciando abusos por parte de comerciantes de Blumenau. É muito abuso mesmo. Ele apresentou uma pesquisa de preço, feita em alguns estabelecimentos.

“Estou repassando este e-mail pois acho extrema falta de humanidade uma atitude desta. Se as pessoas normais denunciarem estes abusos, pelo menos teremos ensinado alguma coisa a esses indigentes. Para quem precisar, aquele posto em frente à subida do SENAI que fica próximo à FURB, manteve o preço da gasolina comum normal (R$ 2,59 ), ontem eu abasteci lá.

E o Giassi, um exemplo a ser seguido, comprei várias coisas para poder preparar em casa sem luz, inclusive água para beber (bomba de 20l por R$ 11,00 incluindo a bomba, R$ 4,00 apenas a água).
No meu bairro (Boa Vista, subindo a rua da Cachaçaria) foi providenciada uma “bica” de água saindo do morro. Apesar de não servir para beber, ainda pode ser utilizada para inúmeras finalidades.

Segue e-mail abaixo.

Para conhecimento:

Abuso: Amadori (R. Frei Estanislau Shaette/ R. Joinville)
Carne Moída: R$ 25,00 / Pão francês: R$ 8,00 kg

Pão e Vinho Rua Joinville, 1026 – Vila Nova 47 3222-1030
Pão francês: 10,00 kg Isso não pode ser esquecido!

Mercado Ponta Aguda durante o fim de semana 
Coxão mole : R$ 18 / quilo – Água : R$ 20 bombona de 20 litros

O delegado regional de Blumenau disse que quando o consumidor estiver nesta situação, pode IMEDIATAMENTE  ligar para o 197, que vai cair na delegacia da polícia civil mais próxima, e fazer a denúncia. E SE POSSÍVEL, a polícia vai até o local e pode PRENDER EM FLAGRANTE o dono do estabelecimento, por atentado à economia popular.”

Imprecisão não casa com jornalismo

31 outubro, 2008

Quem é jornalista sabe que é preciso ser o mais exato possível. Em vez de falar que muitas pessoas estavam no local, é melhor dizer que eram 20. Em vez de descrever o sabor como adocicado, falar que lembra o de uma maçã.

Por um ato falho meu, numa matéria que fiz sobre a reforma da catedral deixou de fora uma informação que apurei, mas me esqueci de colocar no texto. Eu dizia que a terceira etapa da reforma era a mais demorada e não coloquei que levariam no mínimo dois anos.

A minha imprecisão atormentou por um dia uma leitora. Recebi um e-mail perguntando quanto tempo exatamente levaria a terceira etapa. Respondi o que fora me informado, achando que ela queria trabalhar nessa fase de recuperação de imagens sacras e altares. Ela então questionou se a catedral celebraria casamentos mesmo assim. Respondi que sim, afinal missas voltariam a ser celebradas em janeiro de 2009. Alívio. É que o casamento dela será realizado em algum dia entre 2009 e 2011!

Em tempos em que a até a crise é motivo para não se casar, imagina não ter igreja?

Foto: Hermínio Nunes

Sobre reforma ortográfica e afins

10 outubro, 2008

Pensamento de Ziraldo, em entrevista pra mim:

“Ainda bem que voltou o K, W e o Y porque agora toda mãe de jogador de futebol tem como escrever o nome do filho”

Agora um bonitinha, sobre a palavra, no lançamento de um projeto, para incentivar a leitura na rede estadual de ensino:

“A palavra é o átomo da alma, sem a palavra a mensagem não permanece”

Daniel Conzi

Se alevantando

2 julho, 2008

Agostinho, 22 anos. Franzino e falante, perna amputada. Tudo bem. “O negócio é se alevantar e continuar.”
Quando soube que só restaram 22 centímetros de perna, o choque veio, é verdade. Mas no dia seguinte, Agostinho já tava de piadinha. “O que me deixou mais triste não foi perder a perna, foi perder a minha tatuagem”. Diz ele que o irmão ficou puto.
Agostinho, natural de Antônio Carlos. Perdeu a perna há dois anos num acidente de moto. Enquanto não recebe a prótese do INSS, ele mesmo cria suas pernas. Já fez de madeira, PVC e agora anda com uma de ferro.
Tombos, leva muitos. “Mas, eles são normais. O negócio é se alevantar e continuar.”
Se alevantando e continuando, Agostinho não perdeu tempo. Faz tudo o que fazia antes. “Acho que até melhor!”. Ele até anda de moto. Uma argolinha na perna de ferro, que engata na marcha da moto e pronto. Às vezes ele cai, admite, mas “o negócio é se alevantar e continuar”.